Presentes que te dou

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Passei uma boa parte da infância obcecada por azul. Tudo tinha que ser azul. O ursinho carinhoso, o cabelo da boneca de porcelana…

O ursinho que ganhei foi o marronzinho. Em vez de ganhar a uvinha, ganhei a moranguinho. Só se salvou a boneca de porcelana, maaaaas… Logo que ganhei, minha mãe me despachou para a casa de uns amigos dela. E sabe como é criança. Esqueci a boneca lá. Nunca me devolveram. Depois ninguém entende porque uma menina fica revoltada e pinta os próprios cabelos de azul (rsrs).

uvinha1.jpg

Acho que tudo começou com um livro que tinha na casa de uma tia: O pássaro azul. As ilustrações eram montagem com  fotos de bonecos de pano, coisa fofa. E nele, existia uma boneca personificando a noite.  Aliás, se alguém tiver a oportunidade de assistir, foi feito um filme também,  com o mesmo título. Conta a história de crianças atrás do pássaro azul da felicidade, para entregar à um amigo acamado. Enquanto correm atrás da felicidade, passeiam por mundos mágicos, pelo passado e futuro.

Voltando ao livro, Dona Noite é uma linda mulher, de pele pálida e cabelo azul. Trajando um longo manto negro como o céu e enfeitado com estrelas. Essa imagem ficou na minha mente durante muito tempo, aliás está aqui ainda, e marcou meu senso estético. Até hoje me encantam os contrastes.

Infelizmente não encontrei nenhuma imagem do livro, mas meus presentes não ganhados chegaram. Pelo menos virtualmente.

Add comment 23 Novembro, 2007 Maíra
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Pequena grande menina

Eu sempre soube que um dia teria uma crise. Homérica. Mas não podia pagar psicóloga, então fui empurrando com a barriga… Tava planejando deixar ela chegar no ano que vem. Aí seria mais fácil. Mas quem disse que a vida é fácil (rsrsrs – capitão, desculpe me apropriar de suas falas)?

Sem eu perceber, sem eu deixar, pá, ela chegou e se instalou. Tentei argumentar que não era hora. Ela não quis nem saber. Era minha menina, que me dizia assim: “Você nào acha que já me negligenciou o suficiente??? Agora que cheguei aqui pertinho, tô vendo até que tem uma cadeira de balanço na sala, acredita mesmo que vou sair pela porta sem te incomodar?”

Ainda bem que ouvi os seus apelos. Sua tristeza é minha mágoa. Sua voz muda calou minha criatividade. Seu prematuro amadurecer tornou-me velha. Agora ela tá ali, aboletada na cadeira de balanço, me olhando de soslaio. Ela tá me esperando. Eu estou me esperando. A gente está se estudando. Ainda é cedo, mas é um começo. Já houve até um abraço, e muitas lágrimas. Falta começar a brincar.

O que vou fazer desse blog? Não sei bem… Orientar meus passos em direção a esta criança que me habita? Relembrar suas mágoas e tentar, de alguma forma, lhe oferecer conforto? Lembrar o que ela poderia ter sido e quem sabe ainda será? Ou ainda, simplesmente, celebrar a minha infância na década de 80. Tudo isso? Ou não.

2 comments 21 Novembro, 2007 Maíra
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